Participação popular

Não se pode subestimar a sabedoria popular, segundo as palavras de Maquiavel. O povo é sempre mais sábio que os governantes.
Por isso, a democracia, para ser legítima, deve ser uma construção de baixo para cima, e não o contrário, por imposição de quem esteja nos cargos de comando.
A passividade relativa da sociedade, muitas vezes, se dá por um comodismo que foi-se arraigando na cultura de nosso povo, por alguns fatores, como: cerceamento da liberdade, educação de baixa qualidade, falta de liberdade de imprensa e, até mesmo, falta de imprensa, falta de acesso às manifestações da arte (teatro, cinema, etc.) e da cultura (leitura, bibliotecas, etc).
Pergunto: quantas cidades médias e pequenas têm imprensa de verdade?  Aqui, em nossa região, quantas cidades têm periódicos locais, tratando de notícias locais de forma crítica, e não apenas para elogiar A ou B, ou para difamar?
A imprensa não veicula apenas notícias, mas também idéias. Não estamos acostumados a discutir idéias, apenas a recepcioná-las de forma inerte.
Mas isso tende a mudar, pois hoje há obrigatoriedade dos Conselhos Municipais (da saúde, da educação, da merenda, do idoso, da criança e do adolescente, de administração), onde há presença de integrantes da sociedade civil, não apenas do Governo.
A Constituição manda ouvir a população sobre vários assuntos; nessa esteira, também ordena a Lei de Responsabilidade Fiscal acerca da formação do orçamento municipal e da prestação de contas, através das audiência públicas; o Estatuto das Cidades acerca das políticas de urbanismo e de habitação; nossa Lei Orgânica também preconiza a participação popular.
Outra coisa a que nosso ordenamento jurídico obriga todo gestor público é a transparência, que vem a ser o dever de pôr às claras todo negócio, todo ato, toda decisão, toda informação, por mais desagradável ou inconveniente que seja, para que a população tome conhecimento e possa se posicionar.
A democracia é como os músculos: para se desenvolver precisa ser exercitada.
Precisamos consultar com mais frequência a opinião do povo, criar mecanismos práticos e efetivos de tomada de decisões que insira cada vez mais a voz da cidadania.
Não tenhamos medo. Onde todos participam, todos crescem.

Comentários

Unknown disse…
Olá,mano,

É necessário que as pessoas tomem consciência da importância de sua participação na vida política de seu município, estado.Sem envolvimento, exercício diário de cidadania nos manteremos sempre seres omissos e inativos na sociedade.
Bjus,
Adelaine

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