É pau, é pedra, é o fim do caminho...
A poesia de Tom Jobim lança luz sobre a tragédia que presenciamos agora no Rio de Janeiro. Seja no Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar onde, neste momento, acontecem ou estão para acontecer os mesmos fatos trágicos, o elemento constante é sempre um e mesmo erro: a imprevidência. Se o pau, a pedra, a lama estão no caminho, não era para estar. O caminho também não era para estar ali. Na natureza cada qual tem seu espaço, que não pode ser invadido. Quando a tragédia acontece, é certeza que essa lei foi desobedecida. Morros, encostas, pés de morros, margens de rios, de córregos, enfim, os espaços vitais dos elementos da natureza não podem ser ocupados. Mas eles não foram ocupados ontem, vêm sendo há décadas. Como não há política de urbanismo, de habitação, de ocupação sustentável (esta palavra tão surrada ultimamente) do solo, as pessoas moram onde dá, seja no alto do morro, onde for. O ser humano tem o direito de morar. O Estado tem o dever de fornecer condições de moradia à p...