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Mostrando postagens de março, 2011

José Alencar - um estóico diferente

Os filósofos estóicos pregavam, no século III a. C., a indiferença e a insensibilidade para com as circunstâncias e coisas externas ao ser. O verdadeiro sábio deveria enfrentar com serenidade as tragédias, as angústias e as contradições humanas, sendo esta a única forma de busca da felicidade. Nos últimos anos, o Brasil inteiro acompanhou com atenção e singular interesse o desenrolar do drama humano vivido pelo Ex-Vice-Presidente da República José Alencar. Ele nunca se deixou abater, e nos parece que seu sorriso foi aumentando proporcionalmente a cada saída de sessão de tratamento quimioterápico. Ele não somente enfrentou com serenidade e resistência à dor a grave doença que o matou nesta quarta, dia 29 de março de 2011, como transcendeu mesmo a receita dos filósofos gregos. Ele inaugurou uma nova filosofia, cujo método de indagação é a alegria, o otimismo e uma invencível energia de superação. Não nos esqueçamos de que ele era vice-presidente, teve a seu dispor o melhor da medici...

A franqueza e a sinceridade

A franqueza é uma virtude? Bem, muitos se gabam e são elogiados por muitos outros por possuí-la, ou por exibí-la. Há quem se orgulhe de dizer tudo "na lata", sem rodeios. São pessoas que "não levam desaforo pra casa", e que por isso se consideram, ou são consideradas, pessoas francas. A franqueza, na realidade, não chega a ser um defeito, mas o que ela realmente é?. Ser franco é não esconder sentimentos, emoções ou pensamentos ao falar, ao agir. Indaguemos primeiramente:  ter essa característica no seio social é possível? É aconselhável ser franco? A franqueza, nua e crua, auxilia nas relações sociais? Ser franco é sinônimo de ser verdadeiro, transparente, sincero? A pessoa franca, segundo o senso comum, é aquela que diz a verdade, doa em quem doer, custe o que custar. Ou seja, ela não diz apenas a verdade, mas toda a verdade, segundo o que ela entende ser a verdade. Se levarmos essa qualidade ao pé da letra, teremos então que dizer toda a verdade em qualquer ...

A importância de um "porquê?"

Haveria menos mentiras no mundo, ou pelo menos nós seríamos menos enganados por elas, se ao final de todas as afirmações ou negações categóricas, por mais corriqueiras que fossem, ou que parecessem ser, apuséssemos um singelo "porque?". As crianças nos ensinam com sua itinerante curiosidade, a qual jamais deveríamos perder. A fase dos "porquês" deveria nos acompanhar por toda a vida. Recordo-me de um artigo que li tempos atrás, de autoria do escritor Afonso Romano Santana, no jornal Correio Braziliense, em ele narrava sobre um professor seu de filosofia. Aquele mestre, diante do desinteresse da turma pela matéria, chegou e disse que filosofia não servia para nada, e que ele estava ali para nada. Em seguida pediu sua atenção por cinquenta minutos para que explanasse acerca do significado do nada. Filosofia pura, indispensável. É fazendo perguntas, mais do que encontrando respostas, que deveríamos buscar entender o mundo ao nosso redor. Um "porque?" dito no ...