A dengue e a vida comunitária
O século 21 ainda assiste a fatos que, em sua essência, negam a própria natureza gregária da espécie humana.
A prova cabal e insofismável do que acabo de afirmar é a epidemia de dengue que assola o país, em não menos que nove estados da Federação.
A respeito dessa zoonose, é do conhecimento médio da população que o seu controle depende, preponderantemente, da atitude vigilante e preventiva de cada um de nós, cidadãs e cidadãos brasileiros.
Cada quintal, cada terreno, cada espaço sobre o qual exercemos o direito sagrado da propriedade, é o palco de uma batalha diária na guerra que já deveríamos ter ganho contra o ínfimo inimigo, se tivéssemos vida comunitária.
Digo isso por ser de sabença geral que o mosquito, ao contrário dos humanos, não tem muros a cercar seu território, o que o deixa livre a praticar esbulho possessório a torto e a direito, pois, nesse particular, nem todos sabemos exercer a propriedade socialmente responsável.
Como consequência, não basta fazer individualmente o que é correto, mas também discutir essa necessidade com os vizinhos, na associação do bairro, etc, e exigir dos concidadãos atitude proativa no combate a esse que afeta a toda a comunidade.
Aqueles que se negam a fazer sua obrigação, devem ser compelidos legalmente, até com denúncia aos órgãos competentes.
Não estão isentos de culpa os entes governamentais, principalmente os municípios, cuja fiscalização é omissa e cujas ações são ineficientes na prevenção e combate da praga.
Entretanto, pela falta de sentimento comunitário, pelo individualismo que nos impede de agir em prol da coletividade, também nos enfraquecemos como grupo de pressão para tirar da inércia as autoridades omissas.
E assim, o inseto continua sua epopéia sem obstáculos, quem sabe do outro lado de "...um muro de hipocrisias que insiste em nos rodear".
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