Caraminholas de um General
Diz a Constituição:
DAS FORÇAS ARMADAS
"Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são
instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a
autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".
Não há na Constituição a figura da intervenção militar.
Está clara sua submissão a hierarquia e disciplina, a autoridade suprema do Presidente da República, para agir em defesa da Pátria (povo, território e governo), garantir os poderes constitucionais (Legislativo, Executivo e Judiciário) e, apenas se solicitado por qualquer destes, garantia da lei e da ordem (segurança pública).
Neste particular, não vejo qual parte não é clara para o General Mourão, aquele que aventou a possibilidade de intervenção dos Militares.
É muita falta do que fazer. Ele deve estar entediado em só lidar com as finanças do Exército.
Por isso, não! O Comando do Exército poderia enviar ele pra fronteira pra evitar a passagem de armas ilícitas e o tráfico de drogas, dando uma forcinha pra PF, PRF.
Isso o manteria, ele que é "operacional", bem ocupado e sem tempo pra criar caraminholas na cabeça.
Por outro lado, a fala do General mandou pras cucuias justamente o que baseia e sustenta a vida militar: a hierarquia e a disciplina.
Ele passou por cima do seu Comandante Vilas Boas, e do Comandante em Chefe das FFAA, golpe a parte, o Presidente da República.
Ou seja, Vilas Boas já disse que não o punirá. Um Presidente com colhões faria, com toda a naturalidade, a destituição de ambos e a nomeação de um Comandante que saiba o que é obedecer, pra ter moral pra ser obedecido (Sun Tzu se revolve no túmulo sob o solo chinês).
A par disso, não devemos confundir alhos com bugalhos.
As Forças Armadas, após o fim da ditadura, foi relegada pelos governos civis a uma posição que não condiz com sua importância e centralidade para a nação.
Basta ver que são das instituições mais bem avaliadas pela população, o que não é traduzido no orçamento da melhor forma.
Como dizia Sun Tzu, secundado por Maquiavel: a guerra é assunto de vida e morte.
O orçamento militar brasileiro é uma piada, como se não tivéssemos nenhuma Amazônia pra proteger, tecnologia bélica pra desenvolver, postos de petróleo pra patrulhar.
Mas cada macaco no seu galho.
Quem governa é o governo civil. As FFAA são subordinadas absolutamente ao governo eleito pelo povo.
Toda vez que se aventuram em golpes de Estado, nós já sabemos onde isso dá, é só dar uma olhadinha nos livros de história na Biblioteca Bernardo Elis, na minha querida Dueré.
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