Ed René Kivitz e as entrelinhas da Carta a Filemon
Rotular como esquerdismo, liberalismo, marcionismo, enfim, como heresia toda idéia contrária ou diversa da interpretação dita ortodoxa, sã doutrina, em suma, à dogmática do stablishment e ao tratamento que tais intérpretes dão a questões afetas à mulher, à homofobia, ao machismo patriarcal, é algo que remonta ao que aconteceu ao próprio Cristo.
Se Cristo não contou com um tratamento contextualizado e histórico-cultural adequado à simplicidade da proclamação que ele fez de sua (interpretação Liberal, Heterodoxa e até mesmo Herética da perspectiva da cúpula religiosa judaica) sobre a Torá, não esperemos que a Igreja e seus intérpretes oficiais tenham um insight acerca da centralidade da pessoa humana (que Deus amou de tal maneira...).
Em sua palestra acerca do sentido extraordinário da Epístola a Filemon, Ed não propôs "atualizar" a Bíblia, mas "atuá-la", no sentido de dar concretude à crença na graça divina, agir conforme essa mesma crença, que derruba qualquer muro, véu ou teologia "sistemática" que, sistematicamente, pune, estigmatiza e aparta da koinonia aqueles que Cristo ..."de maneira nenhuma..." lança fora.
Nós é que temos que nos atualizar com o sentido atemporal e vivo da mensagem do evangelho, que não embolora mesmo sob toneladas de casca de dogmas, religiosidade tóxica e moralismo hipócrita.
Isto se dá em razão de Cristo, com sua mensagem, ter elevado o sarrafo da verdadeira espiritualidade, quando diz "...amai-vos uns aos outros como EU vos amei", colocando-se, para sempre, como o paradigma a espelhar qualquer entendimento, compreensão, interpretação da revelação.
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